Nada melhor do que uma olimpíada, no seu país, para inspirar a pensar a relação da fotografia com o esporte. Aquele instante decisivo do movimento, da quebra do recorde, da superação da física, da emoção do atleta e da torcida.

 

É bem verdade que a famosa expressão “instante decisivo”, do fotojornalista francês Cartier-Bresson, não se referia à fotografia esportiva mas à foto documental. Mas essa expressão de alguma maneira faz alusão à essência da fotografia esportiva: não forçada, fluída e atenta ao momento de equilíbrio que pode acontecer diante das lentes.

 

O fotógrafo trabalha em uníssono com o movimento, como se este fosse o desdobramento natural da forma, como a vida se revela. No entanto, dentro do movimento existe um instante no qual todos os elementos que se movem ficam em equilíbrio. A fotografia deve intervir neste instante, tornando o equilíbrio imóvel. – Henry Cartier-Bresson

 

la-1470083024-snap-photo

 Florida, 1996, David Burnett

 

O fotógrafo americano David Burnett participou de todas as olimpíadas desde 1984, e esse ano ele não perdeu os jogos no Rio de Janeiro. Ele não clica o flagrante “medalha de ouro”, como ele mesmo explica, mas momentos mais suaves. De ângulos menos convencionais, usando uma câmera analógica, Burnett se interessa pelos detalhes, instantes menos definitivos para medalhas mas marcantes para o olhar. O que ele faz, há oito olimpíadas, é experimentar, sair do óbvio e nos surpreender com a impressionante força, leveza e estética do esporte. Momentos que não são mostrados na televisão, nem nos jornais, e que nosso olhar de torcedor muita vezes não presta a devida atenção.

 

Co32mwaXgAQYJ1v

Rio, 2016, David Burnett

 

la-1470082870-snap-photo

Barcelona, 1992, David Burnett

 

Outros fotógrafos escolhem ainda uma outra perspectiva sobre o esporte, como Amy Elkins. Ela fotografa jogadores de rúgbi logo depois de um jogo, mostrando o lado psicológico de um esporte agressivo, a “elegante violência” do rúgbi, a masculinidade exacerbada e sua vulnerabilidade. São fotos posadas, extraídas do ambiente clássico do jogo mas não menos interessantes ou representativas do esporte em questão. Independente do fotógrafo ou da modalidade, a fotografia aliada ao esporte pode contar várias histórias, inspirar, refletir e sempre nos surpreender.

 

RugbyYale_roll_4_11 001
Amy Elkins

 

E você, esteve nas olimpíadas do Rio? Tirou alguma foto legal? Divide com a gente nos comentários abaixo.

2 thoughts on “Rio 2016, a emoção do esporte na fotografia

  1. Amei o post Iô. Tinha pesquisado há poucos dias sobre o David Burnett. Maravilhoso o trabalho dele =) Bjocas e continua postando! Tico

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *