Fotos Pró Rio

Commissaire de la campagne de solidarité pour Rio de Janeiro – Fotos Pró Rio – contre la crise politique et sanitaire du COVID-19 avec plus de 450 artistes brésiliens et étrangers.

Curator in the solidarity campaign for Rio de Janeiro – Fotos Pró Rio – against the political and health crisis of COVID-19 with the collaboration of more than 450 artists from around the world.

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Diálogos fotográficos entre Brasil e América Latina

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Desenvolvi, junto com a equipe do FotoRio, um projeto de 4 lives com o intuito de enriquecer o diálogo fotográfico entre o Brasil e a América Latina. Cada live gira em torno de um tema e trás um(a) convidada(o) brasileira(o) e outro(a) de algum país da América latina. A ideia era conhecer artistas e gestores culturais que tivessem pouca visibilidade no Brasil, e com os quais pudéssemos criar um diálogo.

Dentro do tema América Latina, falamos sobre mulheres e a fotografia, o livro de fotografia, a fotografia documental e o que seria uma fotografia latino americana. A série de 4 lives faz parte da programação oficial do festival FotoRio 2020.

Os links:

  • primeira live – “Diálogos fotográficos entre Brasil e América Latina” com Joana Mazza, Maíra Gamarra e Marcel del Castillo, link
  • segunda live – “Mulheres na fotografia latino americana” com Mônica Maia e Clara de Tezanos, link
  • terceira live – “Fotografia latino americana face às crises” com Pilar Olivares e Victor Moryiama, link
  • quarta live – “Livros de fotografia na América latina” com Rony Maltz ({Lp} Press) e Martín Bollati (FELIFA), link

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Exposições FotoRio 2020/21

(english at the end)

Tive a chance de pensar em duas exposições, diametralmente opostas, para a última edição do FotoRio. De um lado uma expo de lambe-lambe, nas ruas do Rio de Janeiro, com imagens de Ratão Diniz sobre os bate bolas. Era o carnaval, a festa e a cor, retomando a cidade que ainda estava vazia por causa da pandemia e chorando sua muitas – demasiadas – mortes.

Há mais de 10 anos, o fotógrafo carioca Ratão Diniz acompanha as turmas de bate-bolas do subúrbio do Rio, em bairros como Campo Grande, Marechal Hermes, Rocha Miranda, Honório Gurgel e Guadalupe. Formado pela Escola de Fotógrafos Populares, Ratão registra manifestações culturais carnavalescas menos mediatizadas, desconstruindo vários pré-conceitos, tabus e clichês, do carnaval da periferia, que tanto são perpassados pela grande imprensa.
Independente do bloco, existe o cuidado com a preservação de uma memória e com a importância de múltiplos discursos e olhares. Assim, o olhar sensível do fotógrafo nos guia entre as cores, as máscaras, a alegria e a cultura bateboleira. Aqui o registro da folia é feito de forma democrática com o intuito de redefinir a identidade e fortalecer o pertencimento de todos.

Esse ano de 2021 não teve Carnaval, mas graças a essas imagens os bate-bolas resistem e desfilam nas ruas do Rio.

Do outro lado, “Corpos de Estilo ente Brasil e França”, do fotógrafo francês Julien Spiewak: uma exposição virtual sobre a história, o museu, a vida.

Corps de Style/ Corpos de estilo

Integrando sutilmente o corpo nos cenários de museus ao redor do mundo, o jovem fotógrafo francês Julien Spiewak nos surpreende com um olhar contemporâneo de ambientes históricos. O que pode parecer um jogo de esconde-esconde, brincando com o nosso olhar curioso sobre os detalhes dos corpos nos espaços, se revela um ensaio sutil e profundo. A elegância dos movimentos – dos braços da cadeira e dos modelos, por exemplo – une dois momentos no tempo, dando vida à História. A performance dos corpos nus ajuda o fotógrafo a não capturar apenas um instante fugaz mas a conectar épocas, estilos e momentos históricos.

Ao introduzir a vivacidade do corpo humano, sempre recortado, dentro de antigas salas, carregadas de histórias, muitas vezes rígidas e austeras, Julien causa uma estranheza. Entre a fotografia in situ e a performance, ele produz uma ruptura em nossas mentes através da quebra da referência do museu que nos aproxima. Criamos um vínculo com a arte antiga, o mobiliário barroco e as tapeçarias guardadas. E mais do que isso, nos conectamos a esses objetos, os tornando familiar. Há uma de-sacralizam dos museus e uma abertura para um diálogo entre gerações. Procurando com o nosso olhar onde se dissimula a parte do corpo na imagem, paramos e observamos. De maneira lúdica, o fotógrafo nos faz descobrir ricos detalhes que nos levam a uma interação com a história do museu, das pinturas, assim como com a nossa própria narrativa.

Julien trabalha sua série “Corps de Style” desde 2005, em museus franceses, europeus e brasileiros, e coleções privadas. Suas imagens são cuidadosamente estudadas e pensadas. Existe uma atenção particular voltada para as formas, as matérias e claro, a história de cada museu. Entre a primeira visita e o dia da realização da foto, Julien observou cada curva e símbolo, fotografou tudo e fez sketches das diferentes possibilidades finais de composição. Em seu processo de criação, o artista vai aos poucos encontrando aberturas entre o museu e seu universo particular. E todos os detalhes são válidos, inclusive as legendas que, com um certo humor, catalogam tudo que está presente na imagem, entre obras, mobília e o próprio modelo.

Para sua exposição virtual durante o FotoRio 2020, apresentamos duas salas com imagens de museus do Brasil e da França que dialogam entre si. Assim como uma série de estudos que mostra seu processo criativo. Julien esteve no Brasil de férias em 2015 e fotografou o Museu Imperial, em Petrópolis, e o Museu da República, no Catete. Dois monumentos à História do Brasil que guardam muitas memórias importantes de épocas marcantes da formação do povo brasileiro. De suas imagens da França, mostraremos às de coleções privadas e dos Museus “De la vie Romantique”, “De la Chasse et de la Nature” e “Cognacq-Jay”. Todas as imagens constituem cenários sumptuosos e clássicos, quase delirantes. Os leves detalhes, delicados e graciosos dos corpos de Julien, apesar de estarem praticamente em simbiose com os ambientes, quebram com o delírio de uma época, e nos remetem ao presente.

I had the chance to think of two diametrically opposed exhibitions for the latest edition of FotoRio. On one side, an urban exhbition in the streets of Rio de Janeiro, with images of Ratão Diniz of the bate bolas (a carnival tradition). It was carnival, party and color, taking back the city that was still empty because of the pandemic and crying its many – too many – deaths.

On the other side, I was the curator of the virtual exhibition “Style bodies between Brazil and France” of french photographer Julien Spiewak about history, museums and life.

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Festival Diafragma de Fotografia de Covilhã, Portugal

Commissaire, avec Glaucia Nogueira du Collectif Iandé, dans l’exposition collective “Há uma só Terra” avec 7 photographes brésiliens qui parlent du thème de l’écologie. L’exposition fût présenté à la “Tinturaria” dans le cadre de la programmation du Festival Diafragma de photographie, Covilhã, Portugal. (mai 2021)

Curator along side Gláucia Nogueira from Collectif Iandé in the collective exhibition about ecology, “Há uma só Terra”, with 7 brazilian photographers. The exhibition was shown at “Tinturaria” during the Diafragma Festival, Covilhã, Portugal. (may 2021)

Texto de apresentação do projeto:

Com a curadoria de Glaucia Nogueira, fundadora do Iandé, e Ioana Mello, colaboradora da associação, a participação do Iandé nesta primeira edição do Festival Diafragma soa como um brado de consciência. Podemos fechar os olhos para as estatísticas, as probabilidades e os prognósticos, mas é impossível ignorar a escritura fotográfica das catástrofes da contemporaneidade. A expropriação sem limites, seja do homem pelo homem ou da paisagem, acaba transformando nossas riquezas naturais em nossa maior pobreza.

Nos trabalhos dos sete fotógrafos propostos para o festival, buscamos a urgência de se reinventar uma outra maneira de existir nesta terra. Felipe Fittipaldi, Isis Medeiros, José Diniz, Júlia Pontés, Mateus Gomes, Moara Tupinambá e Paula Pedrosa nos mostram narrativas de ruptura, dominação, solidão e resistência. Um olhar sobre o território e sua ocupação que nos evoca uma imensa vontade de sobrevivência. Aqui a fotografia cumpre também seu papel de manter viva a memória. Pois sem memória há apenas a repetição cega de histórias de desamparo. O que queremos, através desta exposição, é inspirar o desejo de reconexão com essa terra única, mãe da nossa ancestralidade.

Artists and participants of the Festival (Photo Rui Campos)
José Diniz

Host of a long talk about artist photography Book with brazilian artist José Diniz and portuguese artist Susana Paiva.

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Circulações européias em um festival

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Antes de falarmos do Festival Circulations, gostaria de fazer um ponto sobre a importância dos festivais. Festivais de fotografia são valiosos catalisadores do mercado fotográfico. Mas eles vão muito além disso, sendo estimuladores de ações artísticas, sociais e políticas, de conhecimento e trocas entre os profissionais e o público. Por serem muitas vezes independentes, criam a (única) oportunidade de novos talentos exporem seu trabalho e de diferentes gerações interagirem. Em momentos de precariedade cultural, servem também como palco de debates democráticos, resistência e diversidade.

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No Brasil temos inúmeros festivais de fotografia que persistem – FotoRio, PEF, Foto em Pauta, para citar alguns – e outros tantos que foram criados em 2018, como o Solar em Fortaleza e o Festival de Paranapiacaba em SP. Talvez pela falta de dinheiro e importância dada à cultura esses últimos tempos, os festivais tenham conseguido sobreviver com a ajuda financeira de todos e muito voluntariado. Como uma necessidade urgente de encontro, luta e resistência.

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Vamos ajudar os festivais!

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Antes de continuar para o nosso tema, vale ressaltar que o photolimits e o Iandé estão produzindo uma exposição coletiva brasileira, no festival Rencontres d’Arles, em julho, sobre os rumos atuias do Brasil. E todos nós podemos ajudar a expandir essa exposição para um espaço de debates democráticos, luta e resistência. Basta clicar aqui e apoiar.

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Nessa mesma onda, temos um exemplo francês, o festival Circulations, desde 2011. Resultado da associação Fetart, criada em 2005, o festival é totalmente dedicado ao fomento de novos fotógrafos europeus. Produzido por um grupo de voluntários, com ajuda de financiamento coletivo, em cada edição o festival apresenta uns 40 artistas europeus. Eles escolhem 30 por candidatura online, outos são convidados pela produção do festival e por fim, a cada ano, eles tem alguns fotógrafos indicados por uma escola e uma galeria.

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Esse ano podemos ver o engajamento em vários trabalhos, como do português Miranda Nelson (artista escolhido pela galeria convidada, Adorna Corações), do espanhol Rubén Martin de Lucas ou ainda do grego Yorgos Yatromanolakis. O país europeu em foco é a Romênia. Foi uma boa descoberta observar os trabalhos contemporâneos com fotos de arquivo de Mihai e Horatiu Sovaiala e Ioana Cîrlig, e as imagens de resgate à cultura tradicional de Felicia Simion.

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O festival fica em cartaz até dia 30 de junho no enorme espaço 104, em Paris.

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