Privacidade e relações de força na fotografia

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Semana passada falamos aqui de duas facetas da fotografia: a sua importância em revelar e evidenciar mas sem ser a qualquer custo. Fotografar requer saber o que mostrar, com responsabilidade, diálogo e posicionamento.

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Escolhi algumas imagens no post anterior de fotógrafos que fazem pontes e se posicionam: que condenam quando têm que condenar. E que dialogam com seus retratados, criando aberturas. Foram imagens do mineiro Eustáquio Neves que trabalha sobre a identidade e luta da comunidade afro-descendente no Brasil e no mundo. E imagens do projeto de diálogo e inlcusão do jovem Pedro Kuperman com os índios Ashaninka.

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Hoje resolvi pensar em mais fotógrafos que delicadamente revelam uma questão. Sem agressão ao sujeito, ao assunto ou à privacidade. As imagens revelam o que pode ser revelado com ética e sobretudo com um verdadeiro olhar ao outro e um posicionamento diante dos temas discutidos.

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Vamos conferir!

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Richard Mosse: fotojornalista irlandês que ganhou muitos prêmios com imagens de guerra. Seu olhar se posiciona, tentando criar uma nova perspectiva dos conflitos que clicou.

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Richard Mosse, Grid, 2017

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Omar Victor Diop: fotógrafo de Dakar, Omar segue a tradição dos estúdios de fotografia mas com um olhar apontado para a falta de oportunidade da comunidade negra e sua representação caricaturada.

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Omar Diop, (re) mixing Hollywood, 2013

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Omar Diop, (re) mixing Hollywood, 2013

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Paul Mpagi Sepuya: retratista de amigos e pessoas próximas, Paul trabalha da cultura visual homoerótica dentro da “proteção” e privacidade do estúdio. Suas fotografias altamente trabalhadas, e fragmentadas, são uma constante negociação entre o artista, o sujeito e o espectador.

Paul Mpagi Sepuya,Study for a Self Portrait 2015,

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David Uzochukwu: outro retratista, europeu, que trabalha o corpo humano e nossos limites entre força e vulnerabilidade.

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Desfocada

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Nesse início de ano, entre mudanças e novas direções, tensões, polaridades, falta de férias e de calma, tenho me sentido meio desfocada. Resolvi traduzir este estado turvo em imagens.

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Annalisa Natali Murri, Len’s Daughters

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Bastiaan Woudt, 2017

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Michelle Cho + June Kim, La muralla Roja

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Chloe Rosser, Form 3

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Henrique Carneiro, Entorno, 2016

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Kensuke Koike, Out of mind, 2016

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Roberto Badin, Inside Japan, 2018

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Nadezda Nikolova-Kratzer, Formas Elementares

*foto da capa de Tania Bonin.

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Nossas memórias, nossas ruínas

Semana passada, a minha colaboração mensal no blog da Editora Subversos falou de ruínas em relação à série A última aventura de Romy Pocztaruk. Aqui no post resolvi abarcar outros muitos fotógrafos que retrataram as ruínas urbanas de nossa sociedade. Como somos facilmente fascinados pelos destroços do que um dia foram grandes marcos de nossas cidades, muitos artistas se interessaram e clicaram o que sobrou desse sonho grandioso de outrora.

 

As ruínas ficaram tão famosas nas mídias sociais, sobretudo no instagram, que ganharam expressão própria: “ruin porn”. É a beleza do caos, o prazer na destruição. Quase um movimento romântico contemporâneo. Mas independente dos modismos, as ruínas fotográficas e urbanas, podem nos ensinar muito sobre nós mesmos. O que um dia pensamos ser e como nos desenvolvemos, o que se perdeu, o que se ganhou. Nossas experiências com sistemas políticos e culturais.

 

Ruínas de shoppings, antigos templos consumistas que hoje perderam espaço para as compras online, ruínas de cidades operárias pelo mundo, substituídos por máquinas, ruínas de vidas, de sonhos, de ideais.

 

Ruínas de Detroit, Meffre e Marchand, 2005

Investigar o modo como as camadas temporais se imbricam nas ruínas urbanas, perpassa investigar como nós nos vemos e construímos nossos ideais: de país, de nação, de humanidade. A ruína nos leva ao cruzamento exato entre passado e presente, entre o que poderia ser e o que se imaginou ser, e o que de fato aconteceu.

 

 

Para ler o texto na íntegra, basta acessar aqui.

 

 

Hikari, Japão, 2009, Thomas Jorion

 

Seph Lawless, Centro Comercial, 2002

 

Elementar, 2009, Sven Fenemma

 

 

Julio Bittencourt, Kamado, 2015

 

Ilan Benattar, Hospitais, 2013

 

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Carnaval em imagens

Para a grande maioria, durante a folia não temos tempo de ler, ou porque estamos pulando o Carnaval ou porque simplesmente não queremos fazer nada, apenas relaxar e recuperar o sono atrasado das semanas de trabalho.

 

Com isso, como ano passado, proponho um pot-pourri de imagens carnavalescas para descobrimos o Carnaval aqui e ali, hoje e ontem. Aliás, aproveitando, para quem está no Rio de Janeiro, a Galeria da Gávea está com uma linda exposição coletiva, “Vadios e Beatos”,  sobre o Carnaval brasileiro. Com curadoria de Marcelo Campos, 54 obras mostram a boêmia do Carnaval, com imagens de fotógrafos como Miguel Rio Branco e Guy Veloso, além de 2 vídeos do mesmo tema. Vale a pena conferir, mesmo depois dos blocos pois a exposição fica até março.

 

E bom Carnaval para todos!

 

Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação.

– Samba Enredo 2018, Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?, G.R.E.S Paraíso do Tuiuti.

 

Folia de Imagens, Leo Lima, 2018

 

Daniel Marenco (Globo), Jovem, 2018

 

William Klein, Nice, 1984

 

John Vink (Magnum), Carnaval de Veneza, 1982

 

Marcel Gautherot, Rio de Janeiro, 1960

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Novidades de Ano Novo

Ano Novo, vida nova! Vamos começar o ano com um post visual, dizendo menos e olhando mais? Que tal descobrirmos juntos novos fotógrafos? Segue aqui 8 artistas que descobri ao longo do ano passado e que pretendo continuar observando seus trabalhos.

 

Juno Calypso (Inglaterra)- The Honeymoon, 2015

 

 

Shinji Nagabe (Brasil) – Itabanhana, 2015

 

Toshio Shibata (Japão) – Nikko City, 2013

 

Thibault Brunet (França)- Typologie du Virtuel, 2014

 

Vasantha Yogananthan (França) – A myth of two Souls, 2016

 

Namsa Leuba (Guinea/ Suiça) – NGL, 2015

 

Vanessa Beecroft (Itália) – VBSS, 2007

 

Matt Wilson (Inglaterra) – Deep South, 2016

 

E você, viu alguma imagem interessante ano passado? Descobriu algum artista? Compartilhe com a gente.

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