Uma pausa, por favor.

 

Diante de tanta verborragia por todo lado, diante de tanta opinião, informação, cálculos, dados, e histeria, resolvi fazer um post diferente nessa semana caótica. Um post de fotografia que nos faça parar um pouco. A ideia é quebrar por um momento com tanta negatividade postada por aí, tanta demanda de tomada de decisão e posição e deixar as imagens fluírem sem texto. Um pouco de silêncio, de calma e de respiro.

 

Vamos deixar que a fotografia contribua para um momento de paz.

 

 

Fan, Ho, Approaching Shadow, 1954
Fan Ho, Approaching Shadow, 1954

 

 

 

 

 

Hiroshi Sugimoto, Wolf Building Rooftop, New York, 2015
Hiroshi Sugimoto, Wolf Building Rooftop, New York, 2015

 

 

 

 

 

Hugo Aveta, El Silencio del Mundo, 2015
Hugo Aveta, El Silencio del Mundo, 2015

 

 

 

 

 

Andre Kertesz, Martinique, 1972
Andre Kertesz, Martinique, 1972

 

 

 

 

Julio Bittencourt, Kamado
Julio Bittencourt, Kamado

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Ljubodrag Andric, Visible Cities, China, 2013
Ljubodrag Andric, Visible Cities, China, 2013

 

 

 

 

Pedro David, Sufocamento
Pedro David, Sufocamento

 

 

 

 

 

Mario Cravo Netto, 1989
Mario Cravo Netto, 1989

 

 

 

 

 

Floris Neusüss
Floris Neusüss

 

 

 

 

 

Ahmed Mater, Magnetism II, 2012
Ahmed Mater, Magnetism II, 2012
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Desacelerando a vida no vazio das fotos de Hiroshi Sugimoto

Ultimamente – por questões pessoais, políticas, tecnológicas, mundiais e tantas outras – tenho sentido tanta falta de um momento de paz. Quando digo paz penso em silêncio, calma, vazio…

 

QUERO PARAR UM POUCO!

 

O fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto trás justamente essa sensação de quietude para suas fotos.

 

boden sea, uttwil, 1993

 

É uma imagem vazia que acalma. Mas esse vazio que falo não deve ser entendido como “falta de algo”, em oposição ao cheio. Seguindo as origens do nosso fotógrafo japonês, falo de um vazio budista (e nesse caso, zen budista).

 

Para os budistas o conceito de vazio seria radicalmente oposto ao vazio ocidental. Seria o fim das ilusões, da lógica, dos preconceitos, dos obstáculos do pensamento discursivo, seria o momento que a mente estaria pronta para compreender. Nessa esfera todos são vistos sem dicotomias, tanto o eu, como os outros, como a natureza são transcendidos.

 

Time Exposed- #367 Black Sea, Inebolu 1991

 

Nessa série Seascapes, sobre os mares do mundo, Sugimoto elimina qualquer objeto externo ao ar e à água, suprime qualquer dramaticidade da foto e com isso uma possível narrativa. A falta de palavras e explicações, a eteridade e intangibilidade dos referentes ar e água, a repetição incansável da composição geométrica yin-yang faz com que a imagem ganhe um certo “vazio”. Mas ao observar cada paisagem, percebemos que esse vazio também é um acúmulo, nesse caso, de ondas. E de tempo, porque Sugimoto deixa o obturador ligado durante mais de 20 minutos.

 

VAMOS NOS PERDER NESSE HORIZONTE INFINITO.

 

Numa anedota zen o mestre diz ao seu discípulo, “sem pressa chegamos mais rápido”. É a observação, o silêncio, a meditação e a contemplação que levam à intuição da mente e com isso ao despertar. Devemos nos perder no mundo, divagar livremente para assim compreendermos intuitiva e totalmente o zen. Não há um caminho certo para a verdade, pois já estamos nela, ou seja, não devemos achá-la mas nos fundir nela. Podemos facilmente relacionar esses conceitos à arte de Hiroshi. Suas imagens “vazias” trazem naturalmente a mente a um estado contemplativo, até mesmo de meditação. A mente sossega, acalma, para e observa, e sem pressa, vai percorrendo a imagem. Intuitivamente mergulha nos detalhes, nos acúmulos, até perceber uma transformação até, de uma certa maneira, despertar.

 

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