Em período de transição de ano, quem não fica pensando na vida? O que passou e o que virá. Me viro para a fotografia, num balanço do que vimos, pensamos, discutimos e questionamos e as perspectivas para o próximo ano. Li na revista do festival Unseen de fotografia que o presente sempre se acha especial. Acha que seus problemas e suas oportunidades são fundamentalmente diferentes e maiores do que os que enfrentou no passado. Diria que talvez seja uma questão de sobrevivência pensar assim, mas o presente não é tão diferente do passado, e existe uma enorme conexão. Mais do que isso, o passado é muito mais rico do que creditamos e mais contemporâneo do que afirmamos.

 

Vik Muniz, Audrey Hepburn em Diamantes, 2005

 

Se você olha para uma fotografia ou se conecta com qualquer tipo de projeto fotográfico – livro, revista, exposição ou site – e significa algo para você, então é contemporâneo. Não importa se é de 1839, 1967 ou de semana passada. – David Campany

 

Em muitos festivais que participamos e feiras que observamos, a fotografia hoje sofre com a economia de mercado que demanda retorno rápido, dificultando a aposta em novos talentos e imagens originais e recolocando em circulação unicamente o certeiro: seja a imagem clássica ou a imagem contemporânea que vendeu. Esse mercado, com seu medo de diversificar demais, fica estagnado em nomenclaturas e modismos: o que estará “bombando” em 2018?

 

Barry Lategan, 1966, Twiggy

 

Mas cuidado! Olhe para além do óbvio, olhe para além do último lançamento, olhe para além das imagens ícones. A fotografia dialoga com todas as suas imagens ao longo de sua trajetória, com sua história, com a cultura global e sobretudo com narrativas subjetivas e pessoais. A fotografia não é certeza ou afirmação, é apenas tentativa. Assim como a vida.

 

Para 2018, desejo a todos um novo ano de resistência conjunta em novas aventuras visuais.

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