Em período de transição de ano, quem não fica pensando na vida? O que passou e o que virá. Me viro para a fotografia, num balanço do que vimos, pensamos, discutimos e questionamos e as perspectivas para o próximo ano. Li na revista do festival Unseen de fotografia que o presente sempre se acha especial. Acha que seus problemas e suas oportunidades são fundamentalmente diferentes e maiores do que os que enfrentou no passado. Diria que talvez seja uma questão de sobrevivência pensar assim, mas o presente não é tão diferente do passado, e existe uma enorme conexão. Mais do que isso, o passado é muito mais rico do que creditamos e mais contemporâneo do que afirmamos.

Se você olha para uma fotografia ou se conecta com qualquer tipo de projeto fotográfico – livro, revista, exposição ou site – e significa algo para você, então é contemporâneo. Não importa se é de 1839, 1967 ou de semana passada. – David Campany
Em muitos festivais que participamos e feiras que observamos, a fotografia hoje sofre com a economia de mercado que demanda retorno rápido, dificultando a aposta em novos talentos e imagens originais e recolocando em circulação unicamente o certeiro: seja a imagem clássica ou a imagem contemporânea que vendeu. Esse mercado, com seu medo de diversificar demais, fica estagnado em nomenclaturas e modismos: o que estará “bombando” em 2018?

Mas cuidado! Olhe para além do óbvio, olhe para além do último lançamento, olhe para além das imagens ícones. A fotografia dialoga com todas as suas imagens ao longo de sua trajetória, com sua história, com a cultura global e sobretudo com narrativas subjetivas e pessoais. A fotografia não é certeza ou afirmação, é apenas tentativa. Assim como a vida.
Para 2018, desejo a todos um novo ano de resistência conjunta em novas aventuras visuais.


Com esse crescente enfoque financeiro nas feiras em geral, ainda temos o efeito “evento”, que tanto importa nos dias de hoje. Esse ano a cantora Patti Smith fez a curadoria da Gagosian (além de apresentar suas próprias imagens) e Karl Lagerfeld foi a figura da feira para comemorar os vips, fazendo tour selecionados e escolhendo dentre as galerias os trabalhos que mais lhe agradava. É sempre assim, de um lado os colecionadores que querem as melhores festas, as salas vips e o champagne, do outro, o público que quer ver os rostos famosos, as roupas da moda, as assinaturas vedetes… E no meio disso tudo, ostentação, futilidade, dinheiro e pouca diversidade e assombro com a arte.

