Descobri o livro A invenção da Vida – arte e psicanálise depois dele estar esgotado. Foi meu objeto de desejo por um certo tempo, até ganha-lo se presente de uma amiga psicanalista.
A vida não existe, ela tem que ser inventada. (…) Os artistas através de sua arte transformam as dificuldades e o absurdo da existência em representações com as quais o homem pode conviver. -Edson de Souza, Elida Tessler, Abrão Slavutzky


O livro discorre sobre pintura, poesia, fotografia, criação, criatividade, aproximando as teorias artísticas e psicanalíticas, em um diálogo enriquecedor. 16 autores, dentre eles artistas plásticos e psicanalíticos, atuantes no Brasil e no mundo, discorrem sobre temas ligados à arte e à psicanálise em pequenos artigos. Sobre fotografia temos, por exemplo, uma entrevista com o fotógrafo esloveno Evgen Bavcar. O interessante dessa entrevista é que Egven é cego. E é sobre imagens que vão além do visual que a entrevista discute. Afinal, um fotógrafo cego não está tão preso ao real da fotografia quanto um fotógrafo que enxerga. Egven acaba fotografando mais ideias e conceitos, sem recortar um pedaço do presente, do que está diante dele, pois diante dele há apenas escuridão visual.
Todo esse post é para apresentar minha nova coluna Infinito Instante no blog da livraria e editora de psicanálise Subversos. Uma vez por mês apresentarei um fotógrafo diferente, suas fotos e conceitos. Esse mês é sobre Hiroshi Sugimoto e suas imagens que, um pouco como Egven Bavcar, falam mais de ideias do que de realidade. Depois de 1 ano de Photolimits, expandimos nossos limites, desdobramos sem limites, comprovando os tantos discursos possíveis na fotografia.
A invenção da vida, arte e psicanálise. Org. Slavutzky, Abrão; Souza, Edson de; Tessler, Elida. Editora Artes e Ofícios, Porto Alegre, 2001.




Wolney Teixeira nasceu em 1912 no Rio, com dez anos se mudou para Cabo Frio e lá ficou. Filho de fotógrafo, começou a carreira usando o equipamento antigo do pai para sobreviver. Fez de tudo, entre encomendas fotográficas dos salineiros a retratos 3×4 para documentos oficiais. Ao longo de sua carreira fotografou as belezas geográficas da região – Arraial do Cabo, Búzios, Macaé – fez retratos lindíssimos da população, registrou eventos políticos e sociais – comícios, shows, festas, casamentos – da cidade de Cabo Frio, e muito de seu desenvolvimento urbano e de suas paisagens de sal. O fotógrafo deixou mais de 10 mil negativos.





A cenografia da exposição também foi inovadora para época, pensada por Paul Rudolph, instigava o visitante a ver as fotografias de maneira humanista. Divididas em temas iguais a todos – amor, nascimento, carreira, habitação, morte – as imagens contavam uma história única e comum a todos. Além disso, foram montadas de maneira a sair das paredes e entrar ativamente no percurso do público, com impressões grandes e variadas em tamanho formavam murais ao longo das paredes, sendo exibidas inclusive no teto.