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Descobri por esses dias umas dessas pequenas curiosidades históricas: “o olho do amante”. Em sua origem, “o olho do amante” é uma pequena jóia com o olho do amado pintado. Apenas o olho, nada mais. Uma prática que começou com o Rei George IV em 1784 quando ele conheceu e se apaixonou por Maria Fitzherbert uma católica duas vezes viúva. Apesar de proibida a relação, o então príncipe enviou a ela um sinal de seu amor: um retrato em miniatura de seus olhos. Em dezembro, eles se casaram secretamente, apesar da proibição da realeza anglicana de se casar com católicos. Embora o casamento não tenha durado nasceu a moda do “olho do amante”.
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O olho nunca foi só um órgão, mas um símbolo. Seja de proteção, de divindade, de prosperidade… O olhar do fotógrafo não é menos simbólico. Além de ser o centro de um complexo sistema óptico que, junto com o cérebro, e a câmera, encontra inspiração e interpreta as imagens, os olhos do fotógrafo observam.
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A estrada entre o olho e o coração é fácil de seguir. Eu ando nela de olhos fechados. – Christophe Agou
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Como objetos, “o olho do amante” são fascinantes – e bizarros. Um olho perdido, sem dono. Criados antes do advento da fotografia, eram objetos onde as pessoas podiam dar uma parte de si à outra, e não apenas imagens de si mesmas. Como um relicário, com o objetivo de adoração. Olhando para o olho, o destinatário poderia evocar a pessoa amada.
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Pois o olho incorpora uma ação muito específica: o olhar. E não qualquer olhar, mas o olhar de alguém sobre o outro. E cada olhar tem sua emoção e sua mensagem. Pode transmitir luxúria, amor, vigilância, fraternidade, amizade… Cada olhar é precioso e íntimo. Pois como dizem, é a janela para a alma. Como um olho mágico, “o olho do amante”, metáfora do olho do fotógrafo, mostra um pouco do que temos guardado no interior.
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Numa época onde não havia retratos dos amados para serem guardados na carteira ou colocados nos porta-retratos, ou ainda nas telas do celular ou nas fotos de perfis do whatsapp, sentimos “o olhar do amante” repousando sobre nós. Como nos retratos fotografados de hoje, sentimos uma conexão com o retratado, objeto do olhar, e temos a sensação de conhecer essa pessoa um pouquinho.
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E porque ainda é tão difícil quebrar com a ideia do preto e branco? Como vemos nas imagens de Angélica, essas paletas nem existem no rosto humano. Esses rótulos vão 



A curadoria é uma parceria entre o francês Jean Luc Monterosso, diretor da MEP em Paris e do brasileiro Milton Guran, diretor do FotoRio. A exposição nos apresenta 36 imagens e um filme no final, com cenas do making off no estúdio de Zhong. A iluminação está afinadíssima, e nos ambienta ainda mais, nos atraindo para os olhares de cada grande fotógrafo. Podemos ver nomes como Alain Fleischer, Cristina De Middel, Daido Moriyama, Elliott Erwitt, Joan Fontcuberta, Miguel Rio Branco, brasileiro, Orlan, Pierre et Gille, Ralph Gibson, Robert Frank, William Klein, entre muitos outros. 
