Dois textos, dois sites e duas grandes musas

Essa semana tem muita novidade no photolimits. Nossa coluna em francês está tomando forma, com dois textos já traduzidos aqui e muitos outros a caminho. Nossas colaborações com parceiros incríveis também continuam de vento em poupa. Essa semana temos dois textos publicados, sobre duas grandes musas, no site da Editora Subversos e do Ateliê Oriente.

 

Venha conferir nossas musas!

 

Dora Maar, 1935

 

A grande fotógrafa surrealista Dora Maar é a musa do primeiro texto da semana, no site da Editora Subversos, na coluna mensal Infinito Instante. Mais uma história de uma mulher, brilhante fotógrafa, esquecida nos confins da história, confundida com seu amante, denegrida. Mais uma história de #slutshaming ainda no início do século XX. No texto, tento mostrar a Dora Maar para além das pinturas de Picasso, seu percurso, suas imagens, suas ideias.

 

Uma outra grande dama é o tema do texto do site do Ateliê Oriente aqui. Paris e suas imagens, Paris e seu charme fotográfico! Existem muitas relações interessantes para indagarmos entre Paris e a fotografia: sua relação histórica com a mídia fotográfica, sua própria imagem ao longo dos anos e hoje em dia, sua inspiração como musa de tantos fotógrafos.

 

Elliott Erwitt, 1989
Continue Reading

Por favor não incomodar

Em vez de ficar aqui toda semana “falando” sem parar sobre fotografia, acho importante também o silêncio. Um silêncio como espaço para o leitor usufruir de imagens interessantes, e para as próprias imagens falarem por elas mesmas. Não é sempre necessário textos, explicações e intromissões minhas (nesse caso) para uma imagem se revelar. Muitas vezes o silêncio fará mais do que teorizações alheias.

 

Essa semana não vou incomodar.

 

Bom deleite, e boa conversa. Deixo vocês à sós.

 

 

 

 

 

 

 

 

*Todas as imagens acima são do polonês Wojciech Zamecznik (1923 – 67), artista considerado um dos primeiros a associar a fotografia às artes gráficas.

 

 

Continue Reading

A cor na fotografia

A cor tem muitos significados, ainda mais para um fotógrafo. “Bater o branco”, escala de cinza na imagem, inúmeros são os códigos coloridos para o sucesso da imagem e sua paleta de cor.

 

Porém a fotógrafa brasileira Angélica Dass quando pensa em cor, vai além. Mulher, negra, Angélica vem de uma família de múltiplas cores, de múltiplas origens que nunca se limitou às poucas denominações de cores e seus rótulos: branco, negro, mulato… Nós humanos somos uma mistura muito mais complexa e diversa. Seu projeto Humanae trabalha com a variedade da escala de cores pantone para provar, de maneira simples e direta, que não existe etiquetas possíveis para a raça humana. Qualquer tentativa é simplória, burra e racista. A verdadeira cor não é branca ou preta, mas escalas de narrativas, origens, migrações, histórias, revoluções…

 

 

Porque a cor é tão importante?

 

O projeto começou em 2012, como um monólogo com a própria história da artista. Aos poucos a ponte foi sendo feita do pessoal ao global. De uma história particular, toda o passado escravocrata do nosso país pode ser pensado, todo o racismo que ainda existe hoje por causa da cor. Angélica fotografou mais de 3000 pessoas em 15 países diferentes. Ela utiliza as  normas tradicionais da fotografia antropológica e do retrato legal: enquadramento frontal do busto para cima, pose e iluminação direta. O mesmo tipo de retrato que é usado tantas vezes para nos “enquadrar”.

 

Eu entendo a fotografia como um jogo em que os códigos pessoais e sociais estão ali para serem reinventados, uma ponte entre máscaras e identidades. Por isso, uso meu trabalho como ferramenta de questionamento e busca de identidade, para mim e para os outros. – Angelica Dass

 

E porque ainda é tão difícil quebrar com a ideia do preto e branco? Como vemos nas imagens de Angélica, essas paletas nem existem no rosto humano. Esses rótulos vão além da cor da pele. São uma questão cultural, política e econômica. Nosso país, que foi o último a abolir a escravatura, no papel, trava uma luta diária e constante, na imagem, na fala e na ação, para desconstruir os estereótipos. O trabalho de Angélica é importante pois ilustra de maneira óbvia e simples os problemas sociais que enfrentamos e que muitos tentam não enxergar ou não entender. Ela questiona as noções de disparidade e raça com desembaraço, imparcialidade e um rigor quase científico. Seus retratos já são usados por ONG’S, escolas, sociólogos e ativistas para continuar essa importante reflexão sobre a igualdade étnica.

 

Continue Reading

O envelhecimento e a fotografia, anos de parceria

Pois é, os anos passam, e nós comemoramos aniversários, e os anos passam, e mais festas, e os anos passam… Bom, você já entendeu onde eu quero chegar, né? Todos nós envelhecemos! E a fotografia nos tempos de hoje, com seus filtros mágicos, só faz retardar esse processo, simulando uma juventude eterna, aliada às cirurgias plásticas e aos processos dermatológicos.

 

Até os canalhas envelhecem. – Nelson Rodrigues

 

Mas no fim do dia, ou da vida, envelhecemos. E a imagem meio lavada da infância (ou dos #tbt do instragram) nos escancara essa passagem do tempo. Algumas pessoas, como a Sissi, ficaram com a fama de não se deixarem fotografar depois de uma certa idade, justamente para não ter que encarar de frente as mudanças dos anos. Porém, por mais truques que usemos, por mais filtros que coloquemos, o corpo muda, o metabolismo desacelera, a mente se fortalece, as prioridades se renovam, mudamos o corpo físico e o lado psicológico também. Envelhecemos, para o bem e para o mal, num ato de adaptação constante das transformações que passamos. Entre aceitação e medo, definição e busca, envelhecemos.

 

Abaixo alguns fotógrafos que tentaram traduzir esse processo da vida, que pode não ter data exata para chegar, mas que vem para todos.

 

Sarah Bloom (EUA) – Self, abandonada, 2009-2018

 

Material Rejeitado

 

Uma mulher pensante dorme com monstros

 

Sally Mann (EUA) – Fotos de família, 1984-1991

 

 

Sasha Glodeberg (FR) – Mamika, 2007

 

 

 

Continue Reading

Existe alguma série sobre a fotografia?

Hoje todos nós assistimos a séries na TV ou internet. Pois essa semana tenho duas dicas de séries sobre a fotografia. Uma é mais antiga, do início dos anos 2000, se chama Contacts e teve três temporadas, cada uma abrangendo uma área da fotografia: o fotojornalismo, a fotografia contemporânea e a fotografia conceitual. A outra é a web-série brasileira No Olhar feita com o apoio da Secretaria da Cultura de Estado do Paraná e que discute a fotografia brasileira.

 

A série Contacts fala de um fotógrafo por episódio a partir de imagens emblemáticas de suas folhas de contato: a singularidade de um frame que não foi ampliado, o conjunto de imagens em sua totalidade, um quadro que mais tarde se torna conhecido. Nessa série vemos direitinho todo o trabalho do fotógrafo: preparação, experimentação, espera, antecipação… Robert Doisneau, Hiroshi Sugimoto, Jeff Wall, Thomas Ruff, Helmut Newton e mais 28 fotógrafos falam de suas séries, seus conceitos, suas ideias, a paixão pela fotografia. Muito é revelado sobre as características de cada um e sobre a mídia fotográfica em si.

 

A série está a venda em DVD e é facilmente encontrada no youtube e afins. Abaixo o episódio 1 da primeira temporada com Josef Koudelka.

 

 

No Olhar TV se concentra em fotógrafos brasileiros, suas trajetórias e a relação de cada um com a fotografia. Mesmo focada na carreira de cada fotógrafo, a série consegue brilhantemente falar da fotografia no Brasil, sua importância e sua história, além de discutir a linguagem fotográfica e seus diferentes caminhos possíveis. Didática, ela também perpassa as diferentes oportunidades viáveis para o fotógrafo nos dias de hoje, no Brasil e no mundo.

 

Você gosta de fotografia? Gosta de se expressar através da imagem? Gosta de pensar o mundo através da imagem? E como você vai construir esse caminho? – Bruno Veiga (temporada 2, episódio 9)

 

Ana Carolina Fernandes, temporada 2, episódio 4

 

Continue Reading